Não se fazem perguntas
Não se pergunta se não há liberdade
de se ter bem despertada a curiosidade
e então a palavra é monocromática e igual
a mesma na mesma oração de converter
os que já são crentes e a mais subida não aspiram
que a prometida e concedida pelos guardiões
da verdade absoluta e inexplorável ademais
no rumo de querer entender cada rumor
do que nos chega aos ouvidos de inquisitivo
e fica-se inquilino de uma casa inabitada
a não ser por palavras gastas e rituais obsoletos
perdendo-se o sentido do sagrado com humor
para derrotar os fariseus que se ignoram
a si mesmos como farisaicos comprometidos
com os deuses das pedras que são ídolos
na música sacra tornada em música eletrónica
de atrair milhares de gentes perdidas de si
que se procuram em raves e outras raivas
dançantes nas evocadas salvações pela música
de verter aspirações e esperanças em aptidão
de fazer sangrar o coração até mais não
no entrelaçar das almas que observam os corpos
na sua continência e sentido do que é o pudor
porquanto o prazer lhes soa obsceno e corruptor
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